quinta-feira, 17 de julho de 2014

Waka Waka

O tampão tá fora da minha cabeça, meu Deus, e não é de hoje. Sobra vontade de fazer as coisas mas os calafrios percorrem meu corpo, a fraqueza invade, a insônia ou o sono tortuoso fazem festa rave com direito a todos os narcóticos naturais feitos dos hormônios que rodam na minha corrente sanguínea.

Deito a cabeça no travesseiro e peço: Shakira, para de mover seus quadris na minha cabeça. Amo ver você dançar, mas francamente, no silêncio do quarto o barulho da sua voz o solavanco dos seus quadris que fazem pul-pul-pul seguindo o ritmo de Ojos Asi ou Waka Waka me deixam surda. Louca em todos os sentidos possíveis. Num limbo cheio de vórtices já não sei quem sou eu, a vertigem me toma e eu não estou falando de modo figurativo, aliás quem me dera. 

A atenção voa pelos planetas do sistema solar, nas galáxias vizinhas  e com o corpo na Terra parado sou uma morta viva. "BOM DIAAA PICATCHU, ACORDAAAAA, PRESTA A ATENÇÃO" - diz o chefe aumentando a voz vendo que já não estou mais aqui, na tentativa de me fazer despertar. 

Irritada não quero falar com ninguém. Nem pai nem mãe nem Loro nem Namo. Mas a culpa não é deles não é minha: Não é de ninguém. É do meu corpo, da alma que se revolta e recusa a obedecer, meu espírito é uma tempestade que jamais se cala, e dá nisso. Um vulcão erupcionando - fala-se assim? ERUPCIONANDO.... palavra nova.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Arco Íris, a Mídia e o Mercado Literário: O que você acha ?

Acompanhar filmes que retratam a nossa realidade é algo realmente fabuloso, que tornam público sobre o cotidiano às quais nem sempre se tem acesso de modo profundo, como é ser homossexual ou bi, o que se passa nesse universo tão simples, mas que alimenta tantas animosidades contra esse modo de ser, tanto da ciência como da religião.

Adèle e Emma (Interpretadas por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux respectivamente) no Longa-metragem premiado no Festival de Cannes"Azul é a Cor Mais quente")
Ver que o horário nobre também passou a importar-se com o nosso cenário nos faz pensar que não deixa de ser uma mudança positiva para a sociedade o fato de o assunto ser mais abordado, pois talvez dessa forma, daqui alguns anos, os casais gays sejam vistos da mesma forma normal que os casais heteronormativos. É uma forma de entrar em uma intimidade fictícia para ver que a coisa não é assim tão feia, anormal e imoral quanto pintam aos gritos nos templos (pelo contrário: o amor é sublime, seja qual for a forma que se manifeste).

Casal Félix e Nico na novela global "Amor à Vida"


E você, o que acha disso? De o arco-íris estar tomando espaço na arte, nos meios de informação? O que acha do fato de assuntos relacionados ao arco-íris LGBT estarem cada vez mais em evidência?

Elena e Peyton no filme "Elena Undone"


Homofóbicos dirão que é o fim dos tempos, que terminaremos em chamas assim como Sodoma e Gomorra.
LGBTs terão pontos de vista como o que eu listei acima em sua maioria. E outro grupo dirá que a relação entre pessoas do mesmo sexo não é nem de longe parecida com essas versões amenizadas que vemos nas novelas, com esses selinhos insossos, que é falta realismo pois na vida real é muito mais intenso (na minha opinião, nos filmes eles conseguem passar mais realidade do que nas novelas).

É claro que o mercado literário não ia ficar de fora dessa, como aborda a matéria do site O Globo à seguir, no link: http://oglobo.globo.com/cultura/livros/editoras-apostam-em-literatura-infanto-juvenil-gay-13244487

Já falei o que há de "nooooosssaaa que maravilhaaa" nesse movimento, a identificação que eventualmente possamos sentir. Mas as vezes tenho a impressão (que pode ser equivocada ou não) de que a mídia, e os veículos de informação estão se aproveitando disso para encher os bolsos de money. Ok... quem não quer sentir nos bolsos o barulho de moedas de ouro batendo umas nas outras?? Eu quero...



Da mídia eu não me espanto, sério. Mas o mercado literário anda muito robotizado e interesseiro pra mim, andam falando sempre dos mesmos assuntos... Igual na época em que usavam a temática sadomasô para tornar 50 Tons de Cinza um best-seller, e logo em seguida vi mais e mais autores apostando as fichas nisso, perdendo a originalidade para o poder monetário. E a escrita é um sacerdócio. Sacrilégio é simplesmente se vender para uma editora. Parar de escrever o que gosta só para enricá-los ainda mais. Que fique claro: Não coloco em dúvida a qualidade sobre esses livros, afinal de contas, nunca li deles nada além da sinopse. Talvez futuramente eu faça resenhas sobre eles).

Talvez ALGUNS dos escritores nem queiram mesmo escrever sobre o assunto, e simplesmente seguem o fluxo, a tendência do momento. E infelizmente - ou felizmente para alguns casos - muitos leitores acabam seguindo aquilo que leem. Vai do psicológico de cada um. Alguns acabam não sabendo separar a realidade da ficção, como naquela polêmica obra de Goethe, chamada "Os sofrimentos do Jovem Werther ", o qual virou febre em seu tempo, e muitos suicídios em massa de jovens que leram o romance foram documentados. 


Nesse caso, eu diria que o único lado ruim de colocar a homossexualidade em tudo, é que muitas pessoas que não nasceram com essa tendência homossexual acabam fazendo só pra seguir a moda do momento, e na maioria das vezes, fazem de uma forma que acaba denegrindo a imagem dos homossexuais, e ao invés de termos uma maior aceitação por parte dos homofóbicos, podemos presenciar uma maior repulsa por parte de quem tem preconceito. A frase que mais escuto, e que mais me dói ouvir é "Nossa, agora é moda virar viado" . Temos gente famosa e sem cérebro falando esse tipo de coisa, influenciando a massa a ter uma visão negativa da questão. Em primeiro lugar, não se diz essa palavra, é um insulto. E em segundo, não se diz que a pessoa "virou" algo, pois na ciência ainda não foram comprovadas as razões pelas quais indivíduos podem sentir atração pelo mesmo sexo, se eles nascem assim ou são influenciados pelo ambiente (eu acredito que seja de nascença), portanto, não saia dizendo o que não sabe.


Como já foi dito, acho maravilhoso o fato do silêncio ter sido quebrado a respeito disso, pois sou muito interessada nessa causa e nessa luta. Mas por vezes mostrar a homo e a bi como moda mais atrapalha do que ajuda. Tem que ser um processo natural, vagarosamente, para que seja aceito como uma realidade comum.

E você? O que acha sobre?

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Lygia Fagundes Telles, Frio, Vida e EU

Hoje levantei da cama após uma noite extremamente tumultuada. Extenuada, cansada. A Copa acabou neguinha... O que é isso? Afinal de contas... Porque que eu sou obrigada a sair do meu edredom para encarar esse frio ai fora? Fala sério... ninguém está me encostando uma arma nas costas para que eu coloque as minhas botas... mas eu mesma, como carrasca minha, obrigo-me. Foi-se o tempo em que a escravidão vinha só do outro, irmão. Hoje, ela é numa simbiose: tu me escravizas, eu te escravizo; nossos eus se escravizam no silêncio dos nossos próprios egos cheios de obrigações, e isso se torna um círculo vicioso que sempre tem combustível pra rodar..........

Para! 
Na moral, to de saco cheio.
Cansei de escrever certinho. De sonhar em estar na lista dos best-sellers, sendo que no final, sempre vou estar isolada na frente do computador, na esperança de que alguém leia o meu blog e se sinta tocado. O conforto anônimo de quem me lê é meu único pagamento, e não faço questão de outro. O negócio para eu estar mesmo satisfeita com o que faço, é pensar que meu MAKTUB é estar sempre na classe média-baixa brasileira, e ser feliz com isso. Procurar mesmo fazer o que gosto, porque tentar ganhar dinheiro com o que não me dá tesão, realmente não vai rolar, e por mais que eu tentasse, minhas mãos seriam estéreis em uma coisa dessas.



Lygia Fagundes Telles me ensinou que não precisa escrever com um encadeamento perfeito de ideias para conseguir tocar quem lê, para ser brilhante. Me mostrou que a magia da escrita está no delírio, na "briza", não na simetria. Me mostrou, que não precisa ser gringo, ex atriz porn ou fazer livro com temática sadomasô ou autoajuda para ganhar ibope.  Que estar na lista TOP 10 DO TIMES "MAIS VENDIDOS" não significa qualidade, não significa ser ótimo escritor. Isso não foi ela que disse. Isso foi tudo que ela me ensinou numa linguagem não-verbal e subentendida, somente com uma rápida lida que fiz de duas obras dela, observando a forma que ela escreve, vendo que escreve para agradar a si, e mesmo assim recebe prêmios por isso.

Acordei de um jeito meio virado, e agora estou enxergando tudo de um jeito. Turvo. Onde percebo que essa realidade nossa não faz sentido nenhum, é tudo inútil. Lembro de quando eu era criança, e eu acumulava um monte de coisas na minha caixa: brinquedos, bonecas quebradas, grãos de arroz que roubei da cozinha, algodões que tirei do banheiro, tudo só pra brincar; não fazia a menor ideia da diferença entre útil e inútil, e saber ou não disso não fazia a menor diferença na minha vida. Vida? Que que é isso, mãe? Mãe como é o seu nome de verdade? Por que a gente tem que se matar tanto? No trânsito? No escritório? Nessa ditadura disfarçada? Nessa falta de união deplorável, onde os brasileiros só se unem pra zombar da própria pátria (como se o mundo não fizesse isso o suficiente, se situem). E quem tenta fugir desse sistema-porcaria simplesmente é segregado, como um vídeo dos policiais quebrando os artesanatos dos malucos de estrada que simplesmente preferem trançar arames ao invés de teclar que nem um escravo-tecnológico em um escritório. Livre-arbítrio é como um doce que a gente vê pelo vidro da padaria, sabe que existe, já pudemos um dia provar uma migalha, mas sabemos que no fundo ele não nos pertence.

Vejo as pessoas se movendo pelo vidro fumê. Elas sabem pra onde estão indo. Casa trabalho mercado casa-do-amante casa-da-amiga boate GLS (me leva, me leva, me tira daqui e me leva pra uma boate gay agora, por favor, quero esquecer esse mundo louco num arco-íris lindo que é meu verdadeiro eu) show de reggae (Jah, te imploro para que me faça poder ir... sei que o show começa dez da noite, mas deuuus o tempo é uma ilusão poxa, faça meus pais me libertarem uma noitezinha só e me deixarem irrr sem eu ter que criar estratégia...).

As pessoas sabem pra onde estão indo sim. Sabem pra que. Mas não sabem o porque, a causa maior. E vão vivendo nesse limbo de acontecimentos, sobrevivendo, sem ao menos entender: por que existo?

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Não é mais a mesma coisa

Tenho saudade daquele tempo no qual você largava tudo pra me ver. Largava serviço, Hobbes, amigos, projetos, tudo. Eu olhava para ti naquelas noites lindas de luar, e mesmo eu estando naquele moletom amarrotado, de cara lavada, olhava para mim com aquelas brilhantes estrelas de prata nos olhos, me dizendo que eu era mesmo a mulher da sua vida.

Agora, parece que você me colocou no lugar ao qual eu realmente pertenço: eu tenho igual prioridade que as outras coisas e pessoas tem. E a cada dia que passa, tento de todos os modos, com uma canção, um carinho, cafuné, desenhos ou planos novos, fazer ressurgir das cinzas aquele ardor de antes. Mas parece que tudo que eu faço é vão. Que seu corpo simplesmente não tem mais a mesma sensibilidade ao meu toque.

Eu tenho sonhos torturantes, nos quais você me troca por alguém. No qual vejo alguma outra sentindo-se em êxtase contigo, sentindo prazer com algo que pertence a mim.

Pior que perder algo meu, é perceber que perco em parcelas, em doses homeopáticas, à prestação.

Não é mais a mesma coisa.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

>> Permita que o teu medo seja pequeno, e teus sonhos, gigantes


Corre atrás daquilo que queres
Mergulha no abismo profundo que lhe amedronta, mesmo que o medo faça  
doer-lhe as entranhas
Aprofunda-te nessa aventura, mesmo que  a sensação provocada seja demasiado torturante ou estranha.




Portas baterão contra tua face
Muitos sabotarão sob disfarce 
Alguns escarnecerão de ti
Mas não fique parado
calado 
quieto
inerte
Enquanto seu objetivo dança sinuosamente em sua frente 
Provoca 
Tenta
Te faz sonhar toda noite no escuro do quarto

Não tenha medo de expor seu trabalho à críticas
sua cara ao ridículo
Sujeitar-se a um não daquela mulher tentadora
que teu orgulho sempre seja menor
 não impeça suas ambições.

Lute mesmo para que engulam todas as palavras 
Para contrariar os pessimistas
Ultrapassar record, expectativas. 
Mas antes de tudo, lute por você.
Amorteça o ego frágil com o escudo das suas aspirações
Faça-as serem tão grandes, que saltarão como Airbag para fora do peito
e aqueles risos irônicos não doerão mais.

Tenta. 
Isso não significa ausência de medo
O risco da negativa continua existindo
Mas, no final, ao menos terá o mérito de pensar que não foi covarde diante dos teus mais profundos
DESEJOS.